Me perguntam se eu vou bem, como anda minha vida, se estou chorando muito ou sorrindo pelos quatro cantos. Me vigiam, sempre esperando por mais um passo em falso meu. Contam quantas vezes eu fecho a cara,olho para as unhas descascando ou mordo os lábios por estar incomodada.
Tentam analisar por que sou tão fechada, e por que sou uma garota de poucos sorrisos. Me ignoram para me sentir sozinha, me xingam para me sentir pequena e me abraçam para me sentir frágil. Querem que eu sinta.
Dizem que eu não sei amar ninguém, que sou como um gelo que não derrete e não muda de forma se posto em outro recipiente. Me julgam, traçam linhas de comportamento e me deixam inquieta.
Fazem meu coração confuso e minha cabeça batendo, me deixam tremendo de raiva por apontarem seus dedos em minhas verdades.
Falo sem pensar, sem sentir, sem saber, sem questionar. Digo sempre sem nada, com respostas erradas para as perguntas mais certas e coerentes.
Sinto que minha vida se passou entre duas aspas. Você me entende? Parecesse que vivi com palavras e historias de outras pessoas, de desconhecidos. Não parece minha vida, não me aparece.
Culpa desses que me perguntam como eu estou, e me fazem pensar " EU ESTOU NADA".
É culpa dos culpados.
Eu odeio o jeito como estou me sentindo, jeito confuso, sem confiança, sem vontade, sem certeza. Repleta de duvidas que eu não queria ter, não agora, não nesse começo, nessa nova fase.
Mesmo que eu me sinta como um "zero", os culpados continuarão me perguntando coisas como se eu fosse o "um". Talvez seja proposital. Talvez eles queiram que eu me sinta dependente deles, fazendo sempre as mesmas perguntas.
Podiam mudar de roteiro, me perguntando
-E ai, tá levando muita porrada do mundo ultimamente?
-Alguém fudeu com sua vida de uns dias para cá?
-E ai , quantas pessoas mentiram para você essa semana? Foi mais do que a semana passada? Record então?
Seria pelo menos verdadeiro tais questionamentos sobre mim. Mas vindo desses culpados, o que sabem sobre a verdade, não é mesmo?
Eu sei amar, sei chorar, rir, sei mentir, dizer a verdade, amarrar o cadarço, admirar a simplicidade. Não sou um gelo que não derrete como eles disseram que sou.
Isso não.
Se os culpados querem continuar culpados, tudo bem.Culpados serão, jamais inocentados. Eu é que não quero continuar sendo a acusada, a que é chamada de gelo.
Talvez eu queira ser algo mais liquido do que sólido, só por enquanto, só para experimentar