A verdade é que : está doendo, como uma faca enfiada, por horas, ou como uma farpa nojenta de chata, na qual não consigo ver para tentar tira-la. Está meio que me incomodando, talvez na mesma proporção que me sinto quando me olham com fixação.
Tento esquecer essa dor aguda, olho fotos, vejo reflexos de mim em espelhos por toda a casa, escrevo meu nome em folhas brancas, rasgo cartas, e por arrependimento, as colo de volta.
Tudo para tentar esquecer por fração de segundos, esse sentimento que quase me mata de frustração.
Essa dor tem nome, sobrenome, pecados, virtudes, osso, pele, carne,e cheiro . Tem sorrisos, tem olhares, manias, mentiras, e meias-verdades. Cabe como uma luva em meu coração que tem centímetros de espaço, metros de sentimentos e mais de cem andares de angustia.
Essa dor tem pai, tem mãe, sonhos, razoes e vontades.
Tem burrices e ignorâncias, e principalmente, me têm.
Queria um remédio que amenizasse essa "dor", ou melhor, algo que me fizesse ter amnésia de todas as horas vividas, de todas as lagrimas postas para fora e as palavras sentimentais que eu relutei para não dizer, e acabei as soltando para você, quer dizer, para a "dor".
Me disseram que o tempo concerta tudo, costura buracos, cura feridas e seca gostas de tristeza em rostos sem expressões. To esperando o tempo no tempo, ficando presa nas horas e segundos de uma dia como outro qualquer, sem memorias, sem sorrisos.
Só estou esperando, para ver se essa dor aguda passa.


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